terça-feira, 29 de novembro de 2011

29/11/11 - 10 anos sem o Quiet Beatle

          Há uma década, na cidade de Beverly Hills, longe dos holofotes, uma modesta estrela do rock se despedia.




Nascido em Liverpool, na Inglaterra, George Harrison viveu o auge do famoso Rock'n Roll que, na década de 50, foi comandado por grandes nomes como Elvis Presley, Little Richard e Chuck Berry. A guitarra, símbolo desse gênero, se tornou paixão de George e, futuramente, seria sua inseparável companheira de palco - assim começou o envolvimento do artista com a música.






Beatles
          No fim dos anos 50, George Harrison integrou o The Quarrymen, assim como Paul McCartney e o líder John Lennon. O grupo, de razoável sucesso na cidade, teve mudança de elenco, como a entrada e saída do baixista Stu Sutcliffe e a troca do baterista Pete Best. Só às vésperas da gravação do primeiro álbum do já The Beatles, Please Please Me, esteve definida a formação permanente do grupo: Lennon, McCartney e Ringo Starr estiveram ao lado de Harrison na banda.
          Aos primeiros shows, George não mostrava tanta energia quanto John e Paul e, por esse motivo, recebeu a fama beatle quieto. Essa timidez gerou a imagem de coadjuvante a Harrison, que durou até o primeiro álbum, onde em Chains e em Do You Want to Know a Secret ele fez o vocal principal.
          Só no segundo álbum, With The Beatles, foi lançada uma canção de sua composição: Don't Bother Me. Além de cantá-la, sua voz em Roll Over Beethoven também conquistou certo público da época. Aos poucos, George era visto como um beatle tanto quanto a dupla Lennon/McCartney.
          A consolidação de Harrison como um ídolo veio um pouco depois, na "segunda era" das canções do grupo. Com a pausa dos shows devido às minuciosidades dos arranjos integrados às músicas gravadas na época, o que as deixaram impossíveis de serem executadas pelo quarteto num palco, no ano de 1966, George cresceu instrumentalmente e introduziu à banda instrumentos novos, como o sitar em Nowregian Wood, por exemplo, e inovou com seus solos de guitarra. Em I'm Only Sleeping o beatle caçula por vários dias treinou um hiff que seria implantado à música de forma invertida. Isso levou a ele o status de melhor instrumentista da banda.
          Além da intimidade com os mais diversos instrumentos, George foi aclamado também por suas composições. Apesar de influenciar o psicodelismo dentro do grupo, só Blue Jay Way apresenta características totalmente psicodélicas. No geral, Harrison fez sucesso com a balada Something e as famosas While My Guitar Gently Weeps e Here Comes The Sun.


Era pós-beatles
          Depois da dissolução do grupo, George Harrison, assim como os outros componentes, ingressou em uma carreira solo. Apesar de alguns projetos com outros músicos, como a parceria com Bob Dylan, Tom Petty, Jeff Lynne e Roy Orbison no concerto em Bangladesh, o guitarrista se manteve na mídia principalmente pelos seus trabalhos. As novas composições como My Sweet Lord e He's So Fine, aliados aos sucessos de sua antiga banda interpretados no show,  fizeram da carreira do ex-beatle, uma de bastante sucesso.

Morte
          Fumante, Harrison descobriu um câncer de pulmão ainda nos anos 90. Porém, só no fim do ano de 2001 foi descoberta a presença de metástase, o que caracterizava o estado terminal do paciente. Com pouco tempo de vida, George decidiu viver seus últimos dias ao lado de um amigo, na Califórnia. A vontade de estar longe das lentes era tanta que nem seu filho soube dessa sua estadia. No dia de 29 de Novembro de 2001, por fim, sua guitarra, sutilmente, parava de chorar, passando a clamar apenas nos corações beatlemaníacos cativados ao redor do mundo, deixando-os órfãos daqueles solos cantados junto com a letra.

Gabriel Carlos

Um comentário:

  1. Uma bela biografia póstuma, digna de wikipédia, (kkkk). O talento, a personalidade e o singular e tímido carisma do quiet beatle realmente fazem falta. E você, como jornalista e como fã, fez sua descrição jornalístico-poética (kkkk) da vida do nosso George.
    Não consigo parar de me perguntar quantos milhares de órfãos pensaram em George Harrison nesse dia. Mas ele não nos deixou órfãos completamente: sua obra ainda nos acalenta e a guitarra dele, de algum modo, nunca parará de chorar aos nossos ouvidos ansiosos.

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