Em outro dia, ouvindo de longe a TV, uma entrevista me foi pertinente. O parente de uma vítima de estupro declarou estar torcendo pela justiça informal que o criminoso estaria intimado a sofrer dentro do presídio - claramente se referindo aos abusos sexuais contra quem pratica esse ato.
A quebra da situação com uma resposta que não fosse racional e politicamente correta, além de dar um ar inusitado à transmissão, deixou espaço para uma interpretação sobre a eficiência da penalidade judiciária do país.
No momento, tentei puxar à memória alguma manchete que denunciava um estuprador que, depois de cumprir pena, voltou a praticar tal ato. Nem em pesquisas pude encontrar. Levando em conta que, nesses casos, todos são supostas vítimas do eros dos demais encarcerados e deixando um pouco de lado a ética - já que, através dela, devemos obediência ao estado em troca de proteção legal - o tratamento que ele recebe dos colegas de cela vem sendo bem mais eficaz que todo o planejamento carcerário voltado à reabilitação do delinquente, que não cumpre seus objetivos nem em casos de pequeno furto.
Por esse motivo, no momento, pensei que a resposta impulsiva do entrevistado fosse uma solução coerente, mas me empolguei demais. Esse pensamento bem voltado ao Código de Hamurabi é o básico de uma desorganização social.
Com isso, a justiça, na minha opinião, não precisa ser feita, mas construída. Cadeia a todos os criminosos, provavelmente, não resolveria o problema, já que, além de não conseguir devolver cidadãos dignos ao meio social, outros vários ladrões, estelionatários, corruptos, infratores e estupradores estariam, facilmente, sendo formados num ambiente tão ambicioso e egoísta que temos.
O que precisamos, certamente, é muito simples, mas muito distante na nossa realidade. É lamentável saber que problemas dessa natureza poderiam ser resolvidos através do uso do extinto bom senso, que deixa saudades! Esse tom desumano seria passível de uma grande revolução dos costumes sociais, mas me parece ser incoerente precisar derrubar uma Bastilha para, sobre os escombros, dizer apenas que precisamos amar o próximo, por exemplo. A verdade é que, pra que tudo isso seja resolvido, estamos a mercê de um passe de mágica!
Gabriel Carlos










